Saturday, August 6, 2011

História do Sintetizador :: Discos dos 60s

Switched on Bach - 1968
Os discos dos anos 60 em que aparecem sintetizadores propriamente ditos, são poucos e com grandes intervalos de tempo, dado que a palavra Sintetizador só se estabeleceu entre os músicos, depois do álbum seminal Switched on Bach de 1968, a exacerbar o uso da colecção de equipamento modular Moog, propriedade de Walter Carlos.
Brinquedos electrónicos de vários tipos foram abrindo caminho tanto em gravações experimentais, como pop, a partir do aparecimento do tema Telstar dos Tornados, em 1962 e depois com algumas aparições no êxito Good Vibrations dos Beach Boys, em 1964, até à avalancha de tapetes "sentimentalóides" do Mellotron utilizado pelos Moody Blues, cujo teclista, Mike Pinder, tinha sido empregado dos "construtores" da Mellotron, a Streetly Electronics.
O cartão de visita definitivo dos Moody Blues foi o grande-som-orquestral consagrado pelo seu álbum de 1968, Days of Future Past, onde aparece o agora muito celebrado tema Nights in White Satin.Pois é!De facto, tanto os Beatles quanto os Rolling Stones utilizavam o Mellotron - Os Beatles, com a famosa abertura de acordes de flauta do Strawberry Fields Forever (em 1967) e os Rolling Stones de uma forma mais pesada, com os arranjos de cordas no tema 2000 Light Years From Home, editado no ano seguinte.Entretanto, na franja mais "séria" (se bem que a música electrónica geralmente acabe nesta altura, por mergulhar em algo que é tudo menos sério), restavam compositores como John Cage, Karl Stockhausen e Norton Subotnick, cujo Silver Apples of The Moon é um dos primeiros discos criados electronicamente, por oposição a ser montado usando técnicas concretas de corta-e-cola de fitas.
A cena explodiu finalmente com o Switched on Bach.As interpretações hipnotizantes de Carlos, das vária pequenas canções de Bach-os concertos de Bradenburgo e alguns prelúdios e invenções-ainda soam hoje fantásticos e futurísticos, 40 anos depois.
Quando nos apercebemos de que Walter Carlos sacou o disco todo de um gigante Moog modular e monofónico, o trabalho alcança proporções sobre-humanas.Todas as linhas, frequentemente cada nota, foi gravada individualmente, re-afinada, re-envelopada, ou filtrada, para servir os propósitos precisos do autor.Ironicamente foram as capacidades exemplares de execução, interpretação e gravação de Walter Carlos que tornaram o Switched on Bach num trabalho tã poderoso e musical.Mas o público não queria saber disso.
A era do sintetizador estava a nascer e toda gente queria entrar na cena.A magia do sintetizador  depressa seria revelada pela ilusão da era.
A enchente de discos de "música Moog" era na sua generalidade pobre e viciada-gravações estéreis de atendedor de chamadas telefónicas, em comparação com as cuidadosas construções de Carlos.
No fim da década, o sintetizador podia muito bem ter simplesmente desaparecido como uma simples modapeculiar que saturou.Mas, mesmo a tempo, grupos experimentais como os Tangerine Dream, Pink Floyd e os Kraftwerk começaram a incorporar componentes de sintetização na sua música, contrariando a ganância dos produtores oportunistas e das editoras discográficas.

Sunday, July 11, 2010

História do sintetizador: Os anos 60 (Parte II)


Os primeiríssimos módulos como o oscilador 901(baixa frequência ou áudio) e o filtro 904A,continuam a ser itens de um preço altíssimo,mesmo que a sua estabilidade seja algo questionável.
Pelos meados dos anos 60,os módulos Moog podiam ser comprados pré-agrupados de fábrica(se bem que por ecomenda,claro) em gigantes caixas de madeira intitulados com o célebre 3C(0s modelos C2 E 1C também eram feitos).O 3C era uma colecção de botões e interruptores e os primeiríssimos eram mesmo feitos á mão pelo próprio Tio Bob,representando o melhor em sintetização modular em termos sónicos(a falta de circuitos integrados no processo de sinal do sistema é o que lhes confere a sua enorme claridade em altas frequências).
Por meados dos anos 60,os desenhos do Bob Moog foram comprados por muitas faculdades de música dos Estados Unidos,uma das quais a Columbia-Princeton Electronic Music Center onde o Walter Carlos então estudava.A afinidade e predisposição de Moog para ouvir os músicos(Carlos era então um seu "conselheiro")estava em grande contraste com um homem que,na costa oeste da américa,também tinha desenvolvido uma série de módulos controladores de voltagem como alternativa rápida e mais fluida ás técnicas de música concreta:Don Buchla.

O outro homem dos sintetizadores
Buchla sempre foi tresmalhado.Se bem que Bob Moog não fosse propriamente um escravo do teclado,rapidamente assimilou o controlo através de teclado convencional para os seus esquemas.Buchla sempre viu as teclas como castradoras da liberdade de expressão do sintetizador,preferindo intuitivamente placas de toque sensíveis,não muito diferentes das de um stylophone.
Buchla trabalhou para o San Francisco Tape Music Center,fundado pelo "concretista"Morton Subotnik.Uma das principais aplicações para os seus desenhos foi um processo de acelerar o "disparo" dos "loops" do Centro,guardados numa fita de cassete.Hoje em dia ,em 1996,nas estações série N da Korg,podemos "disparar" loops a partir de teclas individuais...
Estes foram os dias pioneiros,encabeçados por Moog e Buchla,mas que,de forma alguma,foram limitados a estes.De facto,Harold Bode produziu o seu pré-sintetizador Melochord nos anos 50.
No Reino Unido havia um homem chamado Pete Zinovieff na empresa EMS e Norman Milliard na EMI,cujo modelo "Black Monster"de quase 100 quilos era um modelo modular,exclusivo para aplicações educacionais.
Todas estas empresas e instrumentos funcionavam em ambiente de estúdio ou de laboratório.Os músicos,se é que usavam algo de electrónico nesses tempos,além dos orgãos e dos pianos,ou tocavam Mellotron ou um dos seus muitos associados ou derivados,ou então dedicavam-se ao Theremin.O Theremin é popular agora,mas,nos anos 60,centenas destes "móveis"apareciam em salas de estar e em sessões de gravação,um dos casos mais notáveis é o tema "Good Vibrations"dos Beach Boys,em 1966.
O disco "Switched on Bach" catapultou a palavra sintetizador para a linguagem di dia-a-dia,mas o sintetizador ainda não era visto como um instrumento musical.Para esta conversão todas as honras vão para o MiniMoog que inrrompeu na cena já nos anos 70.

Saturday, July 10, 2010

História do Sintetizador: Os anos 60 (Parte I)


Costuma dizer-se que quem se lembra dos anos 60, é porque não esteve lá.Bem,não é verdade,mas também se for,o que é que isso interessa?
O que interessa é que,por alguma razão,toda a gente se "lembra" ainda dos anos 60
e "sintetizador" não era uma palavra que se ouvisse da boca dos músicos,pelo menos até 1968,quando a CBS lançou um álbum,de um estranho qualquer,chamado Walter Carlos que tocava concertos de Bach,numa coisa que se chamava "sintetizador Moog".
O ano de 1968,deve dizer-se,foi também o ano em que a CBS acertou em cheio com o"Lady Willpower",dos Union Gap,foi o ano do "Mony Mony",pelos Tommy James and The Sondels,do "Little Arrows",do Leapy Lee Deus-nos-valha e "Ÿummy Yummy Yummy",dos Quero-Lá-Saber...
A época do Bubblegum no seu apogeu...
O disco "Switched on Bach",caiu que nem uma luva,pelo menos para os administradores da CBS-bem,caiu e não caiu-mas,ao contrário dos seus companheiros de cela,com êxitos passageiros nos Tops de 1968,este"single"acordou não só os jovens adolescentes para o potencial sónico dos sintetizadores como também criadores como Bob Moog,Tom Oberheim e Alam Pearlman para o potencial comercial do sintetizador com um instrumento musical normal.O sintetizador utilizado no "Switched on Bach"era de facto,uma colecção gigante de módulos Moog,quase tão utilizáveis em palco como uma central nuclear.

Um só disco originou tudo
Sem o "Switched on Bach"é pouco provável que Bob Moog se tivesse dado ao trabalho de fazer o MiniMoog.Sem o MiniMoog,a empresa usual de Alam Pearlman,a ARP,não teria nenhuma razão de ser.Sem o exemplo dos Estados Unidos,será que a Roland e a Korg teriam vislumbrado algum futuro possível no negócio dos teclados pop?
Em qualquer dos casos,qual seria a aposta no MIDI?Sequenciação de computadores?Samplers?Toda a forma como a músoca passou a ser criada na tardia metade do século XX?Sem esquecer,claro,desdobramentos do ramo como revistas e afins...Mas "Switched on Bach"não apareceu do nada.A tecnologia que permitiu a Walter Carlos produzir este trabalho atrás das portas fechadas dos departamentos da universidade de música e em laboratórios de música,há algum tempo atrás.Décadas até.Na inauguração do Museu do sintetizador em Hertfordshire(inglaterra),em 1994,Bob Moog falou da "rede da imaginação",uma espécie de processo de definição e refinação colectivo que ocorreu no princípio dos anos 60,na comunidade da música electrónica nos EUA.
Em 1963 o jovem Moog,estudante doutorado pela universidade de Cornell e construtor de Theremins em part-time,com um seu cúmplice,Herb Deutsch,começou a babuciar na electrónica,construindo séries de módulos interligáveis,cada um dedicado a um processo componente na produção de som,um oscilador,um filtro,um gerador de envelope,um LFO,empregando voltagens de controlo diferentes para produzir diferentes sons,formas e feitos.
A novidade depressa se espalhou e compositores electrónicos como John Cape,Alwin Nikolais e Morton Subotnik,cujas composições eram todas essencialmente estruturas de música concreta,gravadas em fita (essencialmente partes de fitas com vários pedaços de som/música cortadas e depois montadas numa ordem diferente,os processos experimentais mais usados desde os anos 50),repidamente aproveitaram esta nova tecnologia.